*#*...*#*...*#*...*#*...*#*...*#*...*#*...*#*...*#*...* MÚSICA *#*...*#*...*#*...*#*...*#*...*#*...*#*...*#*...*#*...*




Pixinguinha-As rosas não falam


*#*...*#*...*#*...*#*...*#*...*#*...*#*...*#*...*#*...* RELÓGIO *#*...*#*...*#*...*#*...*#*...*#*...*#*...*#*...*#*...*


::Mascote do Blog::



::Lady Love III::
::Adotada em 16.02.2007::






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SONETO DE FIDELIDADE

Vinicius de Moraes

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

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Voz viva da cidade de Goiás, personagem e símbolo da tradição da vida interiorana, Cora Coralina nasceu em 20 de agosto de 1889, na casa que pertencia à sua família há cerca de um século e que se tornaria o museu que hoje reconta sua história.

Cora Coralina faleceu em Goiânia a 10 de abril de 1985. Logo após sua morte, seus amigos e parentes uniram-se para criar a Casa de Coralina, que mantém um museu com objetos da escritora.

Tradições e festas religiosas, a comida típica da região, as famílias e seus 'causos', tudo motivava a escritora fazer uma ponte entre o passado e presente da cidade, numa tentativa de registrar sua história e entender as mudanças. Nas suas próprias palavras: "rever, escrever e assinar os autos do Passado antes que o Tempo passe tudo ao raso". Com a mesma rica simplicidade de seus personagens, Cora fazia doces cristalizados para vender.

Cora Coralina foi a grande porta-voz de uma realidade interiorana afetada pelo avanço da modernidade.

Visitar a casa de Cora Coralina é um dever dado aos turistas que passarem pela cidade de Goiás.



É PRECISO NÃO ESQUECER NADA

Cecília Meireles

É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos
a idéia de recompensa e de glória

O que é preciso é ser como se já não fôssemos
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.

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AUSÊNCIA

Carlos Drummond de Andrade

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços
que rio e danço e invento exclamações alegres
porque a ausência, essa ausência assimilada
ninguém a rouba mais de mim.

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PAZ

Mauro Salles

Deixa-me pousar a cabeça
em teu peito descoberto
Divide comigo esta paz
de corpos saciados
Suspiremos juntos
realizando a dádiva
amadurecida
em anos de espera, sofrimento, indecisões



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::Assim eu vejo a vida::

::Cora Coralina::

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.



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- Postado por: Cáritas Souzza às 17h30
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Poeta e engenheiro, Joaquim Cardozo  é o novo personagem da série Os autores pernambucanos que caem no vestibular. Esse solitário escritor recifense  dedicou toda a existência a duas paixões: o cálculo matemático e, principalmente, a poesia.

 

Soneto somente

Nasci na várzea do Capibaribe
De terra escura, de macio turvo,
De luz dourada no horizonte curvo
E onde, a água doce, o massapé proíbe
Sua presença para mim se exibe
No seu ar sereno que inda hoje absorvo,
E nas noites com negridão de corvo,
Antes que ao porto do céu arribe
A lua assim só tenho essa planície...
Pois tudo quanto fiz foi superfície
De inúteis coisas vãs, humanamente.
De glórias e de alturas e de universos
Não tenho o que dizer nestes meus versos:
- Nessa várzea nasci, nasci somente.

-Joaquim Cardozo-



- Postado por: Cáritas Souzza às 17h29
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Efigênia Coutinho, é  Presidente da

AVSPE- Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores

NASCENTE
Efigênia Coutinho

Toda essa apologia, bem entendeste,
Como límpida Nascente, pura, se revela
Que ao remexer dos olhos traduziste.
Vindo com glórias de ternas sinfonias.

Vejo em tudo teu nome, em tudo o leio,
Ainda bem que compreendestes meu afeto.
Venho através destas rimas persistentes
A te exaltar aos olhos de todo o Universo.

E tudo vais falando, eu tudo vou escutando...
Cantas, embalando, e, sonho com teu cantar
E eu vislumbro os lindos raios desse cantar.

As paisagens vais imaginando, nestes
Cenários de vida; eu vejo-as, enternecida,
Nos versos e cantos, que vais desenhando!

Camboriú 30-04-2006

www.saladepoetas.eti.br



- Postado por: Cáritas Souzza às 12h21
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Augusto dos  Anjos,  nasceu no interior da Paraíba, filho de conhecido e cultíssimo advogado, cuja excelente biblioteca abasteceu o futuro poeta com a leitura de Darwin, Spencer, Lamarck e outros teóricos evolucionistas europeus. Atacado pela tuberculose, vai atrás dos bons ares de Minas Gerais, fixando residência em Leopoldina. Lá morreria com tão somente trinta anos e um único livro escrito e publicado.

http://www.revista.agulha.nom.br/augusto.html

Saudade

Hoje que a mágoa me apunhala o seio,
E o coração me rasga atroz, imensa,
Eu a bendigo da descrença, em meio,
Porque eu hoje só vivo da descrença.

À noute qunado em funda soledade
Minh’alma se recolhe tristemente,
P’ra iluminar-me a alma descontente,
Se acende o círio triste da Saudade.

E assim afeito às mágoas e ao tormento,
E à dor e ao sofrimento eterno afeito,
Para dar vida à dor e ao sofrimento,

Da saudade na campa enegrecida
Guardo a lembrança que me sangra o peito,
Mas que no entanto me alimenta a vida.

- Augusto dos  Anjos-



- Postado por: Cáritas Souzza às 17h03
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Ângelus

A Filinto D'Almeida

Francisca Júlia (1871 - 1920)

Considerada a maior poetisa da língua portuguesa em seu tempo, foi a mais fiel representante do Parnasianismo no Brasil, a única que conseguiu atingir o respeito à forma e a impassibilidade exigidos pelo movimento: a arte pela arte.

 

 

Desmaia a tarde. Além, pouco e pouco, no poente,
O sol, rei fatigado, em seu leito adormece:
Uma ave canta, ao longe; o ar pesado estremece
Do Ângelus ao soluço agoniado e plangente.

Salmos cheios de dor, impregnados de prece,
Sobem da terra ao céu numa ascensão ardente.
E enquanto o vento chora e o crepúsculo desce,
A ave-maria vai cantando, tristemente.

Nest'hora, muita vez, em que fala a saudade
Pela boca da noite e pelo som que passa,
Lausperene de amor cuja mágoa me invade,

Quisera ser o som, ser a noite, ébria e douda
De trevas, o silêncio, esta nuvem que esvoaça,
Ou fundir-me na luz e desfazer-me toda.

Publicado no livro Esfinges: versos (1903).



- Postado por: Cáritas Souzza às 14h04
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Engano e esperança

Francisco Carvalho

Membro da  Academia Cearense  de Letras

http://www.revista.agulha.nom.br/franci.html#nota

 Se por experiência se adivinha
se pela nuvem se conhece o vento
se por amor dormimos ao relento
sob o orvalho dos seios da vizinha

Se o mar gorjeia, pássaro e elemento
se põe seus ovos antes da galinha
se o rei decreta a morte da rainha
e dela se liberta o pensamento.

Se o corpo volta à infância da caverna
se a esfinge nos decifra e nos devora
se a volúpia do enigma nos governa

Se viver ou morrer é sempre um dano
se o acaso nos golpeia antes da aurora
qualquer grande esperança é grande engano.



- Postado por: Cáritas Souzza às 18h36
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E se eu disser

 

Ivan Junqueira

 

Sua poesia já foi traduzida para o espanhol, alemão, francês, inglês,

italiano, dinamarquês, russo e chinês.

 


E se eu disser que te amo - assim, de cara,
sem mais delonga ou tímidos rodeios,
sem nem saber se a confissão te enfara
ou se te apraz o emprego de tais meios?
E se eu disser que sonho com teus seios,
teu ventre, tuas coxas, tua clara
maneira de sorrir, os lábios cheios
da luz que escorre de uma estrela rara?
E se eu disser que à noite não consigo
sequer adormecer porque me agarro
à imagem que de ti em vão persigo?
Pois eis que o digo, amor. E logo esbarro
em tua ausência - essa lâmina exata
que me penetra e fere e sangra e mata.



- Postado por: Cáritas Souzza às 15h02
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Bocage,  devido à perspectiva de morte que se aproximava, torna-se emotivo, sensível, e mergulha sua poesia em um profundo subjetivismo. Dessa forma, Bocage despe-se totalmente do fingimento Neoclássico e prepara o terreno para o advento do Romantismo.

"Pavorosa ilusão da Eternidade,
Terror dos vivos, cárcere dos mortos;
D'almas vãs sonho vão, chamado Inferno,
Sistema da política opressora
Freio que a mão dos déspotas, dos bonzos,
Forjou para boçal credulidade;
Dogma funesto, que o remorso arreigas
Nos ternos corações, e paz lhe arrancas;
Dogma funesto, detestável crença,
Que envenenas delícias inocentes
Tais como aquelas que no céu se fingem!
Fúrias, Cerastes, Dragos Centimanos
Perpétua escuridão, perpétua chama
Incompatíveis produções do engano,
Do sempiterno horror terrível quadro,
(Só terrível aos olhos da ignorância):
Não, não me assombram tuas negras cores;
Dos homens o pincel e a mão conheço.
Trema de ouvir sacrílego ameaço
Quem dum Deus, quando quer, faz um tirano;
Trema a superstição; lágrimas, preces,
Votos, suspiros arquejando espalhe,
Cosa as faces co'a terra, os peitos fira,
Vergonhosa piedade, inútil vênia
Espere às plantas do impostor sagrado,
Que ora os infernos abre, ora os ferrolha...."

 

( Poesia de Bocage )



- Postado por: Cáritas Souzza às 16h46
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Numerosos poemas de Cassiano Ricardo foram traduzidos para o italiano, espanhol, francês, inglês, húngaro, holandês e servo-croata. Marcha para Oeste foi traduzido pelo "Fondo de Cultura Económica" do México, com o título La Marcha hacia el Oeste; e Martim Cererê, do qual Gabriela Mistral já havia traduzido alguns poemas, foi depois integralmente vertido para o castelhano, pela escritora cubana Emília Bernal, e publicado em Madri, pelo Instituto de Cultura Hispânica, em 1953.

Os Nomes Dados a Terra Descoberta

Cassiano Ricardo


Por se tratar de uma ilha deram-lhe o nome
de ilha de Vera-Cruz.
Ilha cheia de graça
Ilha cheia de pássaros
Ilha cheia de luz.

Ilha verde onde havia
mulheres morenas e nuas
anhangás a sonhar com histórias de luas
e cantos bárbaros de pajés em poracés batendo os pés.

Depois mudaram-lhe o nome
pra terra de Santa Cruz.
Terra cheia de graça
Terra cheia de pássaros
Terra cheia de luz.

A grande terra girassol onde havia guerreiros de tanga e
onças ruivas deitadas à sombra das árvores
mosqueadas de sol

Mas como houvesse em abundância,
certa madeira cor de sangue, cor de brasa
e como o fogo da manhã selvagem
fosse um brasido no carvão noturno da paisagem,
e como a Terra fosse de árvores vermelhas
e se houvesse mostrado assaz gentil,
deram-lhe o nome de Brasil.

Brasil cheio de graça
Brasil cheio de pássaros
Brasil cheio de luz.



- Postado por: Cáritas Souzza às 13h00
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Ciclo

Manhã. Sangue em delírio, verde gomo,
Promessa ardente, berço e liminar:
A árvore pulsa, no primeiro assomo
Da vida, inchando a seiva ao sol... Sonhar!
Dia. A flor - o noivado e o beijo, como
Em perfumes um tálamo e um altar:
A árvore abre-se em riso, espera o pomo,
E canta à voz dos pássaros... Amar!

Tarde. Messe e esplendor, glória e tributo;
A árvore maternal levanta o fruto,
A hóstia da idéia em perfeição... Pensar!

Noite. Oh! Saudade!... A dolorosa rama
Da árvore aflita pelo chão derrama
As folhas, como lágrimas... Lembrar!

Olavo Bilac   



- Postado por: Cáritas Souzza às 20h04
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Como quisesse livre ser

Como quisesse livre ser, deixando
As paragens natais, espaço em fora,
A ave, ao bafejo tépido da aurora,
Abriu as asas e partiu cantando.

Estranhos climas, longes céus, cortando
Nuvens e nuvens, percorreu: e, agora
Que morre o sol, suspende o vôo, e chora,
E chora, a vida antiga recordando ...

E logo, o olhar volvendo compungido
Atrás, volta saudosa do carinho,
Do calor da primeira habitação...

Assim por largo tempo andei perdido:
— Ali! que alegria ver de novo o ninho,
Ver-te, e beijar-te a pequenina mão!

Olavo Bilac



- Postado por: Cáritas Souzza às 20h02
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Enchantagem
 

Paulo Leminski Filho

De tanto não fazer nada
acabo de ser culpado de tudo
esperanças, cheguei
tarde demais como uma lágrima
de tanto fazer tudo
parecer perfeito
 você pode ficar louco
ou para todos os efeitos
suspeito
de ser verbo sem sujeito
pense um pouco
beba bastante
depois me conte direito
que aconteça o contrário
custe o que custar
deseja
quem quer que seja
tem calendário de tristezas
celebrar
tanto evitar o inevitável
in vino veritas
me parece
verdade
 o pau na vida
o vinagre
vinho suave
pense e te pareça
senão eu te invento por toda a eternidade.


- Postado por: Cáritas Souzza às 16h43
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Fonte

Herberto Helder

Ela é a fonte. Eu posso saber que é
a grande fonte
em que todos pensaram. Quando no campo
se procurava o trevo, ou em silêncio
se esperava a noite,
ou se ouvia algures na paz da terra
o urdir do tempo ---
cada um pensava na fonte. Era um manar
secreto e pacífico.
Uma coisa milagrosa que acontecia
ocultamente.

Ninguém falava dela, porque
era imensa. Mas todos a sabiam
como a teta. Como o odre.
Algo sorria dentro de nós.

Minhas irmãs faziam-se mulheres
suavemente. Meu pai lia.
Sorria dentro de mim uma aceitação
do trevo, uma descoberta muito casta.
Era a fonte.

Eu amava-a dolorosa e tranquilamente.
A lua formava-se
com uma ponta subtil de ferocidade,
e a maçã tomava um princípio
de esplendor.

Hoje o sexo desenhou-se. O pensamento
perdeu-se e renasceu.
Hoje sei permanentemente que ela
é a fonte.



- Postado por: Cáritas Souzza às 16h27
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Do Desejo

de Hilda Hilst

 

 Que canto há de cantar o que perdura?

A sombra, o sonho, o labirinto, o caos

A vertigem de ser, a asa, o grito.

Que mitos, meu amor, entre os lençóis:

O que tu pensas gozo é tão finito

E o que pensas amor é muito mais.

Como cobrir-te de pássaros e plumas

E ao mesmo tempo te dizer adeus

Porque imperfeito és carne e perecível

 E o que eu desejo é luz e imaterial.

 Que canto há de cantar o indefinível?

O toque sem tocar, o olhar sem ver

A alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis.

Como te amar, sem nunca merecer?



- Postado por: Cáritas Souzza às 23h17
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Violencelo

Camilo Pessanha

Chorai arcadas
Do violoncelo!
Convulsionadas,
Pontes aladas
De pesadelo...

De que esvoaçam,
Brancos, os arcos...
Por baixo passam,
Se despedaçam,
No rio, os barcos.

Fundas, soluçam
Caudais de choro...
Que ruínas (ouçam)!
Se se debruçam,
Que sorvedouro!...

Trémulos astros...
Soidões lacustres...
– Lemos e mastros...
E os alabastros
Dos balaústres!

Urnas quebradas!
Blocos de gelo...
– Chorai arcadas,
Despedaçadas,
Do violoncelo.



- Postado por: Cáritas Souzza às 17h48
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SABEDORIA
Ligi@Tomarchio®

 

http://paginas.terra.com.br/arte/ligiatomarchio/index.html

 

 Se o passarinho responder que faz seu ninho de fios de ouro e plumas.
Se as flores disserem que desabrocham em berços de ouro.
Se os peixes responderem que respiram debaixo da água por meio de aparelhos importados.
Não ligue, pois eles são tolos como você que ainda não aprendeu a viver.

Agora, se o passarinho responder com humildade que constrói seu lar, seu ninho, com fios de linha, galhinhos e folhas secas encontradas no chão e que com muita dificuldade consegue levar até o alto de uma árvore.
Se as flores responderem que desabrocham, que nascem, com a ajuda da terra, sua mãe, do sol, seu pai, com a água seu alimento.
Se o peixe responder que respira sob a água porque Deus o fez assim.
Daí então, você verá como é fácil aprender a viver, e logo perceberá que para a vida ser boa, só dependerá de boa vontade e otimismo.

Saber viver não é ter ambição de ser rico para ter conforto, esquecendo o principal, que é ser bom, ter bom senso de amar o próximo e fazer da vida um ninho cheio de paz.
Amar alguém para trazer ao mundo um pequenino ser que desabrochará não em berço de ouro, mas com a compreensão dos pais e com amor.
Alimentar-se-á do leite materno, para depois estar apto a respirar, até debaixo da água, as coisas boas da vida, a fim de realizá-las para o progresso não material, mas espiritual do mundo!



- Postado por: Cáritas Souzza às 19h29
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CANÇÃO DOS AMIGOS

Fátima Irene Pinto

Vocês, meus amigos desconhecidos,
Que quase todo dia, nesta tela aportam,
Trazendo belezas que me abrem portas,
Para Deus, em louvor agradecido,

Da vida, vocês fizeram-se o meu sentido.
Da poeta, vocês fizeram-se a inspiração.
E vou seguindo nestes versos comovidos,
Escritos com a alma, em silente oração.

Eu não os conheço, tampouco vocês a mim.
Mas quando o amor e a ternura vertem assim,
O que importa o mútuo conhecimento?

Estamos irmanados num mesmo fim,
De chegar aos corações, com perfume de jasmim,
E soprar a voz de Deus, como sopram a brisa e o vento



- Postado por: Cáritas Souzza às 22h58
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09.12.2006

AMOR

Camões

Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada.

 

Mas esta linda e pura semideia,
Que, como um acidente em seu sujeito,
Assim com a alma minha se conforma,

Está no pensamento cono ideia;
O vivo e puro amor de que sou feito,
como a matéria simples busca a forma.

 

Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê;
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.



- Postado por: Cáritas Souzza às 23h24
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Linha de Rumo

Ruy  Cinatti

Quem  não me deu amor

Não me deu nada

Encontro-me parado...

Olho em meu redor

E  vejo inacabado

O meu  mundo  melhor.

 

Tanto tempo perdido...

Com que saudade o lembro

E  o  bendigo

Campo de flores

E silvas...

 

Fonte da vida fui.

Medito.

Ordeno.

Penso o futuro  a  haver

E sigo deslumbrado

O  pensamento

Que se  descobre.

 

Quem não me deu   amor

Não me deu nada

Desterrado,

Desterrado prossigo,

E sonho-me sem Pátria

E  sem  amigos.

Adrede...



- Postado por: Cáritas Souzza às 23h20
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24.11.2006

CANTO DE REGRESSO À PÁTRIA


Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.

 

( OSWALD DE ANDRADE )



- Postado por: Cáritas Souzza às 18h36
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CANÇÃO  DO  EXÍLIO

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em  cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

 
 Gonçalves  Dias

De Primeiros cantos (1847)



- Postado por: Cáritas Souzza às 18h35
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EXPLODE A ESPERANÇA

Wanderlino Arruda

Hoje, no meu destino,
vive um caminho lúdico
de viagem-sonho,
em minutos-luz.
No céu de Primavera
há um intenso brilho
de vôo relâmpago,
voraz e quente.

É vibração que ferve,
intensamente linda.
Quem sabe o tempo?
Quem conta o agora?

O momento é assim:
mais do que o ontem,
menos que amanhã.
Em claro de alvorecer,
explode a esperança!



- Postado por: Cáritas Souzza às 00h38
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23.09.2006 

JURAMENTO DE AMOR

 Eu quero jurar aqui,

Solenemente

Que te amo!

Que te quero!

- Juro perante o mundo

E perante você, amor,

Que amar-te-ei eternamente!

Que cumpro e cumprirei

Com lealdade

Esta jura de amor

Muito, mas muito fielmente!

E que nunca, mas nunca mesmo,

Trair-te-ei!

Que outro amor assim

Eu nunca tive! Nem terei!...

- Eu juro perante o mundo,

Perante Você, meu amor,

Perante toda a gente

Eu juro que te amo

E amarei-te-ei eternamente!...

 

Autor: Fernando Reis Costa

http://www.ventosquepassam.com.br/



- Postado por: Cáritas Souzza às 19h47
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08.09.2006 

SAUDADES

Casimiro de Abreu

Nas horas mortas da noite
Como é doce o meditar
Quando as estrelas cintilam
Nas ondas quietas do mar;
Quando a lua majestosa
Surgindo linda e formosa,
Como donzela vaidosa
Nas águas se vai mirar!

Nessas horas de silêncio
De tristezas e de amor,
Eu gosto de ouvir ao longe,
Cheio de magoa e de dor,
O sino do campanário
Que fala tão solitário
Com esse som mortuário
Que nos enche de pavor.

Então - Proscrito e sozinho -
Eu solto aos ecos da serra
Suspiros dessa saudade
Que no meu peito se encerra
Esses prantos de amargores
São prantos cheios de dores:
Saudades - Dos meus amores
Saudades - Da minha terra!



- Postado por: Cáritas Souzza às 22h17
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02.09.2006

Três Poemas de Carlos Drummond de Andrade

As sem razões do amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor

Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história

Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.



- Postado por: Cáritas Souzza às 13h57
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