
Poeta e engenheiro, Joaquim Cardozo é o novo personagem da série Os autores pernambucanos que caem no vestibular. Esse solitário escritor recifense dedicou toda a existência a duas paixões: o cálculo matemático e, principalmente, a poesia.
Soneto somente
Nasci na várzea do Capibaribe De terra escura, de macio turvo, De luz dourada no horizonte curvo E onde, a água doce, o massapé proíbe Sua presença para mim se exibe No seu ar sereno que inda hoje absorvo, E nas noites com negridão de corvo, Antes que ao porto do céu arribe A lua assim só tenho essa planície... Pois tudo quanto fiz foi superfície De inúteis coisas vãs, humanamente. De glórias e de alturas e de universos Não tenho o que dizer nestes meus versos: - Nessa várzea nasci, nasci somente.
-Joaquim Cardozo-
- Postado por: Cáritas Souzza às 17h29
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Efigênia Coutinho, é Presidente da
AVSPE- Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores
NASCENTE Efigênia Coutinho
Toda essa apologia, bem entendeste, Como límpida Nascente, pura, se revela Que ao remexer dos olhos traduziste. Vindo com glórias de ternas sinfonias.
Vejo em tudo teu nome, em tudo o leio, Ainda bem que compreendestes meu afeto. Venho através destas rimas persistentes A te exaltar aos olhos de todo o Universo.
E tudo vais falando, eu tudo vou escutando... Cantas, embalando, e, sonho com teu cantar E eu vislumbro os lindos raios desse cantar.
As paisagens vais imaginando, nestes Cenários de vida; eu vejo-as, enternecida, Nos versos e cantos, que vais desenhando!
Camboriú 30-04-2006
www.saladepoetas.eti.br
- Postado por: Cáritas Souzza às 12h21
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Augusto dos Anjos, nasceu no interior da Paraíba, filho de conhecido e cultíssimo advogado, cuja excelente biblioteca abasteceu o futuro poeta com a leitura de Darwin, Spencer, Lamarck e outros teóricos evolucionistas europeus. Atacado pela tuberculose, vai atrás dos bons ares de Minas Gerais, fixando residência em Leopoldina. Lá morreria com tão somente trinta anos e um único livro escrito e publicado.
http://www.revista.agulha.nom.br/augusto.html
Saudade
Hoje que a mágoa me apunhala o seio, E o coração me rasga atroz, imensa, Eu a bendigo da descrença, em meio, Porque eu hoje só vivo da descrença.
À noute qunado em funda soledade Minh’alma se recolhe tristemente, P’ra iluminar-me a alma descontente, Se acende o círio triste da Saudade.
E assim afeito às mágoas e ao tormento, E à dor e ao sofrimento eterno afeito, Para dar vida à dor e ao sofrimento,
Da saudade na campa enegrecida Guardo a lembrança que me sangra o peito, Mas que no entanto me alimenta a vida.
- Augusto dos Anjos-
- Postado por: Cáritas Souzza às 17h03
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Ângelus
A Filinto D'Almeida
Francisca Júlia (1871 - 1920)
Considerada a maior poetisa da língua portuguesa em seu tempo, foi a mais fiel representante do Parnasianismo no Brasil, a única que conseguiu atingir o respeito à forma e a impassibilidade exigidos pelo movimento: a arte pela arte.
Desmaia a tarde. Além, pouco e pouco, no poente, O sol, rei fatigado, em seu leito adormece: Uma ave canta, ao longe; o ar pesado estremece Do Ângelus ao soluço agoniado e plangente.
Salmos cheios de dor, impregnados de prece, Sobem da terra ao céu numa ascensão ardente. E enquanto o vento chora e o crepúsculo desce, A ave-maria vai cantando, tristemente.
Nest'hora, muita vez, em que fala a saudade Pela boca da noite e pelo som que passa, Lausperene de amor cuja mágoa me invade,
Quisera ser o som, ser a noite, ébria e douda De trevas, o silêncio, esta nuvem que esvoaça, Ou fundir-me na luz e desfazer-me toda.
Publicado no livro Esfinges: versos (1903).
- Postado por: Cáritas Souzza às 14h04
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Engano e esperança
Francisco Carvalho
Membro da Academia Cearense de Letras
http://www.revista.agulha.nom.br/franci.html#nota
Se por experiência se adivinha se pela nuvem se conhece o vento se por amor dormimos ao relento sob o orvalho dos seios da vizinha
Se o mar gorjeia, pássaro e elemento se põe seus ovos antes da galinha se o rei decreta a morte da rainha e dela se liberta o pensamento.
Se o corpo volta à infância da caverna se a esfinge nos decifra e nos devora se a volúpia do enigma nos governa
Se viver ou morrer é sempre um dano se o acaso nos golpeia antes da aurora qualquer grande esperança é grande engano.
- Postado por: Cáritas Souzza às 18h36
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E se eu disser
Ivan Junqueira
Sua poesia já foi traduzida para o espanhol, alemão, francês, inglês,
italiano, dinamarquês, russo e chinês.
E se eu disser que te amo - assim, de cara, sem mais delonga ou tímidos rodeios, sem nem saber se a confissão te enfara ou se te apraz o emprego de tais meios? E se eu disser que sonho com teus seios, teu ventre, tuas coxas, tua clara maneira de sorrir, os lábios cheios da luz que escorre de uma estrela rara? E se eu disser que à noite não consigo sequer adormecer porque me agarro à imagem que de ti em vão persigo? Pois eis que o digo, amor. E logo esbarro em tua ausência - essa lâmina exata que me penetra e fere e sangra e mata.
- Postado por: Cáritas Souzza às 15h02
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Bocage, devido à perspectiva de morte que se aproximava, torna-se emotivo, sensível, e mergulha sua poesia em um profundo subjetivismo. Dessa forma, Bocage despe-se totalmente do fingimento Neoclássico e prepara o terreno para o advento do Romantismo.
"Pavorosa ilusão da Eternidade, Terror dos vivos, cárcere dos mortos; D'almas vãs sonho vão, chamado Inferno, Sistema da política opressora Freio que a mão dos déspotas, dos bonzos, Forjou para boçal credulidade; Dogma funesto, que o remorso arreigas Nos ternos corações, e paz lhe arrancas; Dogma funesto, detestável crença, Que envenenas delícias inocentes Tais como aquelas que no céu se fingem! Fúrias, Cerastes, Dragos Centimanos Perpétua escuridão, perpétua chama Incompatíveis produções do engano, Do sempiterno horror terrível quadro, (Só terrível aos olhos da ignorância): Não, não me assombram tuas negras cores; Dos homens o pincel e a mão conheço. Trema de ouvir sacrílego ameaço Quem dum Deus, quando quer, faz um tirano; Trema a superstição; lágrimas, preces, Votos, suspiros arquejando espalhe, Cosa as faces co'a terra, os peitos fira, Vergonhosa piedade, inútil vênia Espere às plantas do impostor sagrado, Que ora os infernos abre, ora os ferrolha...."
( Poesia de Bocage )
- Postado por: Cáritas Souzza às 16h46
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Numerosos poemas de Cassiano Ricardo foram traduzidos para o italiano, espanhol, francês, inglês, húngaro, holandês e servo-croata. Marcha para Oeste foi traduzido pelo "Fondo de Cultura Económica" do México, com o título La Marcha hacia el Oeste; e Martim Cererê, do qual Gabriela Mistral já havia traduzido alguns poemas, foi depois integralmente vertido para o castelhano, pela escritora cubana Emília Bernal, e publicado em Madri, pelo Instituto de Cultura Hispânica, em 1953.
Os Nomes Dados a Terra Descoberta
Cassiano Ricardo
Por se tratar de uma ilha deram-lhe o nome de ilha de Vera-Cruz. Ilha cheia de graça Ilha cheia de pássaros Ilha cheia de luz.
Ilha verde onde havia mulheres morenas e nuas anhangás a sonhar com histórias de luas e cantos bárbaros de pajés em poracés batendo os pés.
Depois mudaram-lhe o nome pra terra de Santa Cruz. Terra cheia de graça Terra cheia de pássaros Terra cheia de luz.
A grande terra girassol onde havia guerreiros de tanga e onças ruivas deitadas à sombra das árvores mosqueadas de sol
Mas como houvesse em abundância, certa madeira cor de sangue, cor de brasa e como o fogo da manhã selvagem fosse um brasido no carvão noturno da paisagem, e como a Terra fosse de árvores vermelhas e se houvesse mostrado assaz gentil, deram-lhe o nome de Brasil.
Brasil cheio de graça Brasil cheio de pássaros Brasil cheio de luz.
- Postado por: Cáritas Souzza às 13h00
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Ciclo
Manhã. Sangue em delírio, verde gomo, Promessa ardente, berço e liminar: A árvore pulsa, no primeiro assomo Da vida, inchando a seiva ao sol... Sonhar! Dia. A flor - o noivado e o beijo, como Em perfumes um tálamo e um altar: A árvore abre-se em riso, espera o pomo, E canta à voz dos pássaros... Amar!
Tarde. Messe e esplendor, glória e tributo; A árvore maternal levanta o fruto, A hóstia da idéia em perfeição... Pensar!
Noite. Oh! Saudade!... A dolorosa rama Da árvore aflita pelo chão derrama As folhas, como lágrimas... Lembrar!
Olavo Bilac
- Postado por: Cáritas Souzza às 20h04
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Como quisesse livre ser
Como quisesse livre ser, deixando As paragens natais, espaço em fora, A ave, ao bafejo tépido da aurora, Abriu as asas e partiu cantando.
Estranhos climas, longes céus, cortando Nuvens e nuvens, percorreu: e, agora Que morre o sol, suspende o vôo, e chora, E chora, a vida antiga recordando ...
E logo, o olhar volvendo compungido Atrás, volta saudosa do carinho, Do calor da primeira habitação...
Assim por largo tempo andei perdido: — Ali! que alegria ver de novo o ninho, Ver-te, e beijar-te a pequenina mão!
Olavo Bilac
- Postado por: Cáritas Souzza às 20h02
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Enchantagem Paulo Leminski Filho
De tanto não fazer nada acabo de ser culpado de tudo
esperanças, cheguei tarde demais como uma lágrima
de tanto fazer tudo parecer perfeito você pode ficar louco ou para todos os efeitos suspeito de ser verbo sem sujeito
pense um pouco beba bastante depois me conte direito
que aconteça o contrário custe o que custar deseja quem quer que seja tem calendário de tristezas celebrar
tanto evitar o inevitável in vino veritas me parece verdade o pau na vida o vinagre vinho suave
pense e te pareça senão eu te invento por toda a eternidade.
- Postado por: Cáritas Souzza às 16h43
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Fonte
Herberto Helder
Ela é a fonte. Eu posso saber que é a grande fonte em que todos pensaram. Quando no campo se procurava o trevo, ou em silêncio se esperava a noite, ou se ouvia algures na paz da terra o urdir do tempo --- cada um pensava na fonte. Era um manar secreto e pacífico. Uma coisa milagrosa que acontecia ocultamente.
Ninguém falava dela, porque era imensa. Mas todos a sabiam como a teta. Como o odre. Algo sorria dentro de nós.
Minhas irmãs faziam-se mulheres suavemente. Meu pai lia. Sorria dentro de mim uma aceitação do trevo, uma descoberta muito casta. Era a fonte.
Eu amava-a dolorosa e tranquilamente. A lua formava-se com uma ponta subtil de ferocidade, e a maçã tomava um princípio de esplendor.
Hoje o sexo desenhou-se. O pensamento perdeu-se e renasceu. Hoje sei permanentemente que ela é a fonte.
- Postado por: Cáritas Souzza às 16h27
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Do Desejo
de Hilda Hilst
Que canto há de cantar o que perdura?
A sombra, o sonho, o labirinto, o caos
A vertigem de ser, a asa, o grito.
Que mitos, meu amor, entre os lençóis:
O que tu pensas gozo é tão finito
E o que pensas amor é muito mais.
Como cobrir-te de pássaros e plumas
E ao mesmo tempo te dizer adeus
Porque imperfeito és carne e perecível
E o que eu desejo é luz e imaterial.
Que canto há de cantar o indefinível?
O toque sem tocar, o olhar sem ver
A alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis.
Como te amar, sem nunca merecer?
- Postado por: Cáritas Souzza às 23h17
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Violencelo
Camilo Pessanha
Chorai arcadas Do violoncelo! Convulsionadas, Pontes aladas De pesadelo...
De que esvoaçam, Brancos, os arcos... Por baixo passam, Se despedaçam, No rio, os barcos.
Fundas, soluçam Caudais de choro... Que ruínas (ouçam)! Se se debruçam, Que sorvedouro!...
Trémulos astros... Soidões lacustres... – Lemos e mastros... E os alabastros Dos balaústres!
Urnas quebradas! Blocos de gelo... – Chorai arcadas, Despedaçadas, Do violoncelo.
- Postado por: Cáritas Souzza às 17h48
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SABEDORIA Ligi@Tomarchio®
http://paginas.terra.com.br/arte/ligiatomarchio/index.html
Se o passarinho responder que faz seu ninho de fios de ouro e plumas. Se as flores disserem que desabrocham em berços de ouro. Se os peixes responderem que respiram debaixo da água por meio de aparelhos importados. Não ligue, pois eles são tolos como você que ainda não aprendeu a viver.
Agora, se o passarinho responder com humildade que constrói seu lar, seu ninho, com fios de linha, galhinhos e folhas secas encontradas no chão e que com muita dificuldade consegue levar até o alto de uma árvore. Se as flores responderem que desabrocham, que nascem, com a ajuda da terra, sua mãe, do sol, seu pai, com a água seu alimento. Se o peixe responder que respira sob a água porque Deus o fez assim. Daí então, você verá como é fácil aprender a viver, e logo perceberá que para a vida ser boa, só dependerá de boa vontade e otimismo.
Saber viver não é ter ambição de ser rico para ter conforto, esquecendo o principal, que é ser bom, ter bom senso de amar o próximo e fazer da vida um ninho cheio de paz. Amar alguém para trazer ao mundo um pequenino ser que desabrochará não em berço de ouro, mas com a compreensão dos pais e com amor. Alimentar-se-á do leite materno, para depois estar apto a respirar, até debaixo da água, as coisas boas da vida, a fim de realizá-las para o progresso não material, mas espiritual do mundo!
- Postado por: Cáritas Souzza às 19h29
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CANÇÃO DOS AMIGOS
Fátima Irene Pinto
Vocês, meus amigos desconhecidos, Que quase todo dia, nesta tela aportam, Trazendo belezas que me abrem portas, Para Deus, em louvor agradecido,
Da vida, vocês fizeram-se o meu sentido. Da poeta, vocês fizeram-se a inspiração. E vou seguindo nestes versos comovidos, Escritos com a alma, em silente oração.
Eu não os conheço, tampouco vocês a mim. Mas quando o amor e a ternura vertem assim, O que importa o mútuo conhecimento?
Estamos irmanados num mesmo fim, De chegar aos corações, com perfume de jasmim, E soprar a voz de Deus, como sopram a brisa e o vento
- Postado por: Cáritas Souzza às 22h58
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09.12.2006

AMOR
Camões
Amor é um fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer. É um não querer mais que bem querer; É um andar solitário entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade; É servir a quem vence o vencedor; É ter com quem nos mata lealdade.
Transforma-se o amador na cousa amada, Por virtude do muito imaginar; Não tenho logo mais que desejar, Pois em mim tenho a parte desejada. Se nela está minha alma transformada, Que mais deseja o corpo de alcançar? Em si somente pode descansar, Pois consigo tal alma está liada.
Mas esta linda e pura semideia, Que, como um acidente em seu sujeito, Assim com a alma minha se conforma,
Está no pensamento cono ideia; O vivo e puro amor de que sou feito, como a matéria simples busca a forma.
Mas, conquanto não pode haver desgosto Onde esperança falta, lá me esconde Amor um mal, que mata e não se vê; Que dias há que na alma me tem posto Um não sei quê, que nasce não sei onde, Vem não sei como, e dói não sei porquê.
- Postado por: Cáritas Souzza às 23h24
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Linha de Rumo
Ruy Cinatti
Quem não me deu amor
Não me deu nada
Encontro-me parado...
Olho em meu redor
E vejo inacabado
O meu mundo melhor.
Tanto tempo perdido...
Com que saudade o lembro
E o bendigo
Campo de flores
E silvas...
Fonte da vida fui.
Medito.
Ordeno.
Penso o futuro a haver
E sigo deslumbrado
O pensamento
Que se descobre.
Quem não me deu amor
Não me deu nada
Desterrado,
Desterrado prossigo,
E sonho-me sem Pátria
E sem amigos.
Adrede...
- Postado por: Cáritas Souzza às 23h20
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24.11.2006
CANTO DE REGRESSO À PÁTRIA
Minha terra tem palmares Onde gorjeia o mar Os passarinhos daqui Não cantam como os de lá Minha terra tem mais rosas E quase que mais amores Minha terra tem mais ouro Minha terra tem mais terra Ouro terra amor e rosas Eu quero tudo de lá Não permita Deus que eu morra Sem que volte para lá Não permita Deus que eu morra Sem que volte pra São Paulo Sem que veja a Rua 15 E o progresso de São Paulo.
( OSWALD DE ANDRADE )
- Postado por: Cáritas Souzza às 18h36
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CANÇÃO DO EXÍLIO
Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer eu encontro lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar –sozinho, à noite– Mais prazer eu encontro lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que disfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu'inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá.
Gonçalves Dias
De Primeiros cantos (1847)
- Postado por: Cáritas Souzza às 18h35
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EXPLODE A ESPERANÇA
Wanderlino Arruda
Hoje, no meu destino, vive um caminho lúdico de viagem-sonho, em minutos-luz. No céu de Primavera há um intenso brilho de vôo relâmpago, voraz e quente.
É vibração que ferve, intensamente linda. Quem sabe o tempo? Quem conta o agora?
O momento é assim: mais do que o ontem, menos que amanhã. Em claro de alvorecer, explode a esperança!
- Postado por: Cáritas Souzza às 00h38
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23.09.2006
JURAMENTO DE AMOR
Eu quero jurar aqui,
Solenemente
Que te amo!
Que te quero!
- Juro perante o mundo
E perante você, amor,
Que amar-te-ei eternamente!
Que cumpro e cumprirei
Com lealdade
Esta jura de amor
Muito, mas muito fielmente!
E que nunca, mas nunca mesmo,
Trair-te-ei!
Que outro amor assim
Eu nunca tive! Nem terei!...
- Eu juro perante o mundo,
Perante Você, meu amor,
Perante toda a gente
Eu juro que te amo
E amarei-te-ei eternamente!...
Autor: Fernando Reis Costa
http://www.ventosquepassam.com.br/
- Postado por: Cáritas Souzza às 19h47
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08.09.2006
SAUDADES
Casimiro de Abreu
Nas horas mortas da noite Como é doce o meditar Quando as estrelas cintilam Nas ondas quietas do mar; Quando a lua majestosa Surgindo linda e formosa, Como donzela vaidosa Nas águas se vai mirar!
Nessas horas de silêncio De tristezas e de amor, Eu gosto de ouvir ao longe, Cheio de magoa e de dor, O sino do campanário Que fala tão solitário Com esse som mortuário Que nos enche de pavor.
Então - Proscrito e sozinho - Eu solto aos ecos da serra Suspiros dessa saudade Que no meu peito se encerra Esses prantos de amargores São prantos cheios de dores: Saudades - Dos meus amores Saudades - Da minha terra!
- Postado por: Cáritas Souzza às 22h17
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02.09.2006
Três Poemas de Carlos Drummond de Andrade
As sem razões do amor
Eu te amo porque te amo. Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo. Eu te amo porque te amo. Amor é estado de graça e com amor não se paga.
Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no elipse. Amor foge a dicionários e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo bastante ou demais a mim. Porque amor não se troca, não se conjuga nem se ama. Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte, e da morte vencedor, por mais que o matem (e matam) a cada instante de amor
Quadrilha
João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história
Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.
- Postado por: Cáritas Souzza às 13h57
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15.05.2006
AS MARGENS DESTE RIO CANTAREI
Poema de Moacyr Félix dedicado a Luiz Paiva de Casto
Às margens deste rio cantarei com alegrias e tristezas
Várias faces de todo o ser do homem.
De pé, atrás dos ponteiros
Onde a vida é desnuda e o sangue não pergunta,
Eu tentarei cravar entre os ossos do meu tempo
O pesadíssimo lamento do silêncio dentro das coisas.
Linha dos horizontes, o coração se estende
Ao lado dos amantes e colhe o mel das luas
Que aclaram o mar de amor entre dois corpos.
Assim surge a promessa e o fundamento de uma utopia
Que minhas auroras cavoucam no que ainda não tem fala.
Cisne em rio noturno, se o coração se põe
Em marcha e bebe os vinhos deste vento
Que sopra o último adeus dos fuzilados
Em direção a nós,
Os rumos, de tão claros, arrancam choro de sangue
No canto que os celebra.
- Postado por: Cáritas Souzza às 18h11
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24.04.2006
OS VERSOS QUE TE FIZ
Deixe dizer-te os lindos versos raros Que a minha boca tem pra te dizer ! São talhados em mármore de Paros Cinzelados por mim pra te oferecer.
Tem dolencia de veludo caros, São como sedas pálidas a arder... Deixa dizer-te os lindos versos raros Que foram feitos pra te endoidecer !
Mas, meu Amor, eu não te digo ainda... Que a boca da mulher é sempre linda Se dentro guarda um verso que não diz !
Amo-te tanto ! E nunca te beijei... E nesse beijo, Amor, que eu te não dei Guardo os versos mais lindos que te fiz.
( Florbela Espanca)

FANATISMO
Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida. Meus olhos andam cegos de te ver! Não és sequer razão do meu viver Pois que tu és já toda a minha vida! ...
E, olhos postos em ti, digo de rastros: «Ah! Podem voar mundos, morrer astros, Que tu és como Deus: Princípio e Fim!...»
( Florbela Espanca)
- Postado por: Cáritas Souzza às 20h59
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20.04.2006
PRECE
Francisco Ayrton de Aguiar
Vem Senhor, aqui estou para receber a vossa graça,
Para usufruir, contrito, os dons que me ofereceres.
Quero colher vossas férteis bênçãos em uma taça
E saciar meus prantos, cessando os meus sofreres.
Quando um dia me concederes o hábito da fé,
Estarei de prontidão, atento, pleno de afazeres,
Mas seguro em vossa mão, firme, estarei de pé,
Abdicando, logo, os apelos fúteis dos prazeres.
Apesar da poeira, das dores e dos espinhos,
Inebriado das luzes que então sorverei,
Levarei meu lenho pelos ínvios caminhos.
O coração no meu peito de amor aquecerei,
O meu espírito sedento, encontrará seu ninho
E com a alma de joelhos uma prece entoarei.
- Postado por: Cáritas Souzza às 15h25
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TE AMEI...
Te amei: era de longe que te olhava e de longe me olhavas vagamente... Ah, quanta coisa nesse tempo a gente sente, que a alma da gente faz escrava.
Te amava: como inquieto adolescente, tremendo ao te enlaçar, e te enlaçava adivinhando esse mistério ardente do mundo, em cada beijo que te dava.
Te amo: e ao te amar assim vou conjugando os tempos todos desse amor, enquanto segue a vida, vivendo, e eu, vou te amando...
Te amar: é mais que em verbo é a minha lei, e é por ti que o repito no meu canto: te amei, te amava, te amo e te amarei!
(Poema de JG de Araujo Jorge do livro -Bazar de Ritmos- 1935)
ASSIM EU VEJO A VIDA
A vida tem duas faces: Positiva e negativa O passado foi duro mas deixou o seu legado Saber viver é a grande sabedoria Que eu possa dignificar Minha condição de mulher, Aceitar suas limitações E me fazer pedra de segurança dos valores que vão desmoronando. Nasci em tempos rudes Aceitei contradições lutas e pedras como lições de vida e delas me sirvo Aprendi a viver.
Cora Coralina
- Postado por: Cáritas Souzza às 20h25
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SE TU VIESSES VER-ME Florbela Espanca
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha, A essa hora dos mágicos cansaços, Quando a noite de manso se avizinha, E me prendesses toda nos teus braços... Quando me lembra: esse sabor que tinha A tua boca... o eco dos teus passos... O teu riso de fonte... os teus abraços.. Os teus beijos... a tua mão na minha... Se tu viesses quando, linda e louca, Traça as linhas dulcíssimas dum beijo E é de seda vermelha e canta e ri E é como um cravo ao sol a minha boca... Quando os olhos se me cerram de desejo... E os meus braços se estendem para ti...

CARTAS DE AMOR Fernando Pessoa
Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas. Também escrevi, no meu tempo, cartas de amor como as outras, ridículas. As cartas de amor, se há amor, Têm de ser ridículas. Quem me dera o tempo, em que eu escrevia sem dar por isso, cartas de amor, ridículas Afinal, só as criaturas que nunca escreveram Cartas de amor É que são ridículas.....

SE EU FOSSE...
Se eu fosse uma anja... Eu traria a paz ao seu coração. Eu transformaria a pomba da Paz em pétalas de rosas perfumadas de amor, embalando a sua vida em uma eterna valsa de amor. Se eu fosse uma anja... Eu deixaria o azul do céu estrelado com o verde do mar percorrerem a sua mente e assim as lembranças tristes iriam dar adeus à você. Se eu fosse uma anja... Eu escreveria em letras singelas e multicoloridas o quanto você merece ser feliz... E essas letras jamais seriam apagadas... Elas seriam eternas. Se eu fosse uma anja faria você acreditar que a felicidade chegará e assim você nem perceberá que os momentos angustiantes que pareciam eternos eram sinais para fortalecer o seu ser interior. Se eu fosse uma anja... Eu seria testemunha de que o seu sorriso se tornará ainda mais doce e que a sua bondade ficará eternamente estampada em outras almas.
(Débora Villela Petrin)
- Postado por: Cáritas Souzza às 13h50
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PORQUÊ GOSTO DE ROSAS...
Cáritas Souzza
Desde criança que meus olhos se habituaram Ao verde das gramas e as cores variadas Das rosas das roseiras distribuídas no jardim. Era lá que eu presenciava sempre Meu pai sentar num banquinho a fazer versos Para minha mãe E também elaborar seus livretos De Literatura de Cordel.
Era lá também que eu via Muitas e muitas vezes Minha mãe sentar na grama Com um caderno nas mãos A fazer versos respondendo Aos versos de meu pai.
E foi assim que...
Entre gramas e samambaias
Palmeiras e roseiras Passei a maior parte de minha infância E onde também ensaiei os meus primeiros versos.
- Postado por: Cáritas Souzza às 13h13
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AMOR É FOGO QUE ARDE SEM SE VER
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
(Luís de Camões)

UM DIA DESCOBRIMOS... (Mário Quintana)
Um dia descobrimos que beijar uma pessoa Para esquecer outra é bobagem Você não só não esquece a outra Pessoa como pensa muito mais nela... Um dia descobrimos que se Apaixonar é inevitável... Um dia percebemos que as Melhores provas de amor são As mais simples... Um dia percebemos que o Comum não nos atrai.. Um dia saberemos que ser Classificado como o “bonzinho” Não é bom... Um dia perceberemos que a pessoa Que nunca te liga é a que mais Pensa em você... Um dia saberemos a importância da frase: “ Tu te tornas eternamente responsável
por aquilo que cativas...” Um dia perceberemos que somos Muito importante para alguém, Mas não damos valor a isso Um dia percebemos como aquele Amigo faz falta, mas aí já é tarde demais... Enfim... um dia descobrimos Que apesar de viver quase um século Esse tempo todo não foi suficiente Para realizarmos todos os Nossos sonhos, Para beijarmos a boca de Quem amamos, para dizer tudo o que tem de ser dito naquele momento. Não existe hora certa para dizer o Que sentimos se quem estiver te ouvindo não te compreender, não te merecer... O jeito é: ou nos conformamos com A falta de algumas coisas na nossa Vida ou lutamos para realizar Todas as nossas loucuras... Quem não compreende um olhar Tampouco compreenderá uma Longa explicação.
- Postado por: Cáritas Souzza às 07h55
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